Essência da terceira exposição: Essência.

Odilon Cavalcanti – A Vitória do Essencial

São grandes os perigos da técnica do pastel.

Talvez nem tanto da técnica – porque esta se aprende e se domina – mas do virtuosismo que pode resultar desse domínio Este sim pode levar o artista a abusar dos aveludados, das cores sensuais, do lado “bonito” do pastel. O domínio da técnica, que é absolutamente necessário, prepara, ao mesmo tempo, armadilhas perigosas, das quais Odilon Cavalcanti soube escapar, acredito, graças ao seu poder de síntese, de sua compreensão do essencial.

Os trabalhos aqui expostos são provas, não apenas de suas qualidades de artista, mas sobretudo de seu destemor, de seu espírito independente, Sendo um artista jovem, viajado e informado, soube se manter livre das manipulações da moda, aos rótulos impingidos. Ele usa a figura como elemento formal, da mesma forma que usaria uma forma abstrata – sem jamais cair no ilustrativo. São estas formas, baseadas ou não no corpo humano, que dão força e até imponência a estes pastéis, nos quais Odilon Cavalcanti explora todas as possibilidades que o material oferece.

Não é fácil para um artista desta época de comunicação rápida de do reinado da “media” preservar a independência e a sua personalidade. Como também não é fácil resistir à tentação do sucesso relativamente rápido, satisfazendo, simplesmente, o desejo do público por aquilo que está na moda. Mas, a longo prazo, são sempre os independentes que vencem e ficam, Entre os quais se encontra, disso estou certo, Odilon Cavalcanti.

Que compreendeu o valor do essencial!

MARCK BERkOWITZ

Rio de Janeiro / novembro de 1986               

“A essência da arte é a vida, não a imitação da vida.”

“Espelho I”
Paste s; papel
50x70cm
1986

Capa do catálogo

 

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