Casos e comentários

Chá com um coelho e Francisco Brennand – Pastel óleo e acrílica sobre tela – 1988

Este quadro tem uma história só dele.

É uma pedra preciosa no meu trabalho e como pedra preciosa foi lapidado.

É uma obra de grandes proporções. Tinha, originalmente 300x 220 cm e foi feito especialmente para a exposição “Tropismo” no MAC Olinda,de 1988, na época em que o saudoso José Carlos Viana era Diretor do Museu e me convidou para uma individual ocupando todas três salas do andar de baixo do museu.

Na sala da entrada, expus aquarelas e desenhos, na menor, de trás, montei um atelier para workshops e no grande salão montei a mostra com os óleos acrílicas, pasteis e uma instalação de uma cruz cátara. Esse quadro, então, era a maior peça da mostra e dominava uma das quatro paredes do salão a principal!

Quando fui retirar a tela, ainda em branco, do moldureiro que a montara no chassis – meu querido seu Antônio, em sua oficina, em santo Amaro, no Recife – e levar para meu atelier, na época, na Ilha de Itamaracá, ele já foi alvo de um acidente sem vítimas, quando se soltou do carro e “pousou” suavemente na pista da Av.Beberibe, parando o trânsito e quase atingido um “bug” “que vinha atrás e, depois, enquanto eu fui pegar mais cordas na casa de um amigo, ali perto, deixando um garoto local “tomando conta”, a tela foi “sequestrada” por uma gang da Favela do Rival, um dos lugares mais perigosos da cidade, onde nem a polícia entrava desacompanhada e que ficava nas proximidades. Ofereci uma grana de “resgate” e alguns minutos depois vi o quadro em branco vindo andando do outro lado da avenida: só apareciam os pezinhos dos “sequestradores”. Depois que foi pago o “resgate” , consegui levar para o atelier e pintá-lo e, assim, ele fez parte da exposição.

Semanas depois, na desmontagem da mostra, na viagem de volta ao atelier sofreu novo acidente, desta vez perdendo partes periféricas, e então, foi aí que a jóia teve de ser lapidada.

Há muitos anos ela faz parte do acervo de minhas obras pertencente à minha filha Nara.

Há cindo anos atrás contei esta história,na minha página do Facebook, vejam os comentários que ela suscitou:

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